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| DEMOCRACIA CULTURAL, SIM! | |
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Jorge Portugal
Apenas 14% dos brasileiros frequentam cinema; 92% não vão a qualquer museu; somente 7% visitam alguma exposição; e, bomba culminante, 80% da verba de patrocínio cultural ficam concentrados na região sudeste!
Será que agora dá pra gente entender por que as disparidades regionais, a desigualdades sócio-econômicas são brutalmente precedidas pela má-distribuição da informação? Pobreza material rima muito bem com indigência intelectual e, por aí vemos a razão da existência dos dois brasis que se antagonizam e não se tocam.De um lado, o “sudeste maravilha”, com sua potente máquina de formar opinião e distribuir os melhores conteúdos culturais aos seus.Daí, a prosperidade, as melhores universidades, os melhores teatros, os grandes museus e a concentração da chamada “inteligência artística” que domina a cena cultural do Brasil.Do outro lado, nós, a periferia da periferia, muitas vezes centro de exportação de talentos e pedaço ignorado da pátria, condenado à sub-expressão da cultura de massa, consumindo o indigesto cardápio da TV aberta.
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O mecanismo era o seguinte: através da “Lei Rouanet”, o principal instrumento de investimento cultural do país, o Estado, por renúncia fiscal, repassava às empresas a condição de patrocinadora de eventos artístico-culturais.Ora, com uma mamata dessa na mão, as grandes empresas só se interessavam em patrocinar artistas consagrados, que agregassem valor à sua marca, ou espetáculos de ampla visibilidade na mídia.Os patrocinados, por sua vez, ainda cobravam preços escandalosos pelos ingressos, restringindo o acesso a uma camada elitizada que sempre deteve o melhor da informação cultural disponível.E tudo isso com o dinheiro do povo brasileiro.Que, por sua vez ,jamais pôde ou poderia assistir a qualquer desses eventos.
Aí, veio a terça-feira passada e eu vi no Jornal Nacional o Ministro da Cultura Juca Ferreira, anunciar a proposta de modificação dos caminhos do financiamento cultural no Brasil.Mudança na “Lei Rouanet”, de modo que o dinheiro do povo, via renúncia fiscal, possa beneficiar muito mais pessoas por todas as regiões do Brasil e não apenas em uma.Falou até da criação de um “vale-cultura”, à semelhança do “ticket-refeição”, o qual seria/será distribuído pelas empresas a fim de que seus funcionários, até aqui excluídos do processo, possam frequentar mais cinemas, museus, exposições, comprar livros a preços populares, ir a shows de grandes artistas, enfim, ganharem cidadania cultural.
Gente, logo depois da comunicação do ministro, no mesmo JN, apareceu um produtor cultural sudestino, daqueles que sempre viveram às custas desse mecanismo perverso, completamente transtornado, tentando cobrir de dúvidas a eficácia da proposta do MINC.
Foi então que eu não tive dúvida: a proposta é excelente!E, por isso, deve contar com o apoio dos que querem um país para todos e não apenas para os 5% de sempre.
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